Mutantes e seus Cometas - Página não oficial

 Arnaldo Dias BaptistaRita LeeSergio Dias BaptistaRonaldo LemeArnolpho Lima Filho
arnaldo  rita  sergio  dinho liminha

Um pouco de história
 
Stefan Wul escreveu "La Mort Vivant" (em português: "O Império dos Mutantes") descrevendo uma poderosa criatura, protótipo de uma nova raça, que pode assumir todas as formas que deseja.

Em 15 de outubro de 1966,Arnaldo Dias Baptista, Sergio Dias Baptista e Rita Lee Jones, fizeram sua primeira apresentação na TV Record (programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von), assumindo definitivamente a personalidade MUTANTES! 

Os garotos se juntaram a bahianada boa (Gilberto Gil, Caetano Veloso, TomZé, e outros), a musicalidade genial de Rogerio Duprat, e criaram o verdadeiro rock brasileiro, o rock da Tropicália.
Muita coisa rolou ... Domingo no Parque ... Panis et Circences ... Mágica ... É Proibido Proibir ... Caminhante Noturno ... 2001 ... Dom Quixote ... Dinho ... Mande um abraço prá Velha ... Liminha ... Ando meio Desligado .... Toninho Peticov ... Paris ... Som Livre Exportação ... a serra do barato ...

Origens
A história dos Mutantes começa em 1964, quando Arnaldo Baptista é convidado a entrar para o grupo The Wooden Faces por seu irmão Cláudio César Dias Baptista, então guitarrista da banda. Um ano depois, discordâncias em relação ao estilo musical que os Wooden Faces deveriam seguir decreta o fim do grupo. Arnaldo e outro integrante, Raphael Villardi, conhecem Rita Lee e decidem formar com Sérgio, irmão mais novo de Baptista, uma banda chamada Six Sided Rockers. Cláudio César passa a ficar "nos bastidores" construindo todo o equipamento, mesas de som e instrumentos da banda, inclusive as lendárias Guitarras de Ouro de Sérgio e Raphael.

Ainda em 66, gravam um compacto pela gravadora Continental, "Suicida / Apocalipse", agora renomeados para O'Seis. O grupo não autoriza, mas mesmo assim a gravadora decide lançar a gravação, que vende pouco mais de 200 cópias.


A aproximação com os Tropicalistas
Durante um racha no O'Seis, ocorre mais uma mudança de formação - sobram apenas Arnaldo, Sérgio e Rita. Após conhecerem o cantor Ronnie Von, o grupo é convidado para acompanhá-lo em seu novo programa na TV Record. Ronnie sugere o nome definitivo da banda, Os Mutantes. No dia 15 de outubro a banda tem sua estréia televisiva no programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von. Em 1967, acompanham Gilberto Gil no Terceiro Festival da Record, ficando em segundo lugar com a canção Domingo no Parque. O evento marca a aproximação da banda com o movimento tropicalista.

Já em 1968 lançam seu primeiro LP, Os Mutantes, bastante inovador e experimental, claramente influenciado pelo trabalho dos Beatles. No ano seguinte, são convidados a tocar em Cannes, na França, no célebre Mercado Internacional de Discos e Editores Musicais, o Midem. Enquanto isso lançam o segundo album, Mutantes. Ainda em 1969 estréiam com o espetáculo Planeta dos Mutantes, misturando música, cenas bizarras e psicodelia. Fechando o ano, tocam no Quarto Festival Internacional da Canção, apresentando a música Ando Meio Desligado.


A consolidação da banda
A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado, lançado em 1970, foi um marco na carreira do grupo, que tenta se distanciar do tropicalismo e abraçar de vez o rock. No final do ano retornam à França para algumas apresentações. Enquanto isso, aproveitam para gravar algumas faixas no estúdio Des Dames. A gravadora Polydor, que planejava lançar os Mutantes no mercado internacional, acaba desistindo do projeto.

No começo de 1971 a banda é contratada pela Rede Globo para serem uma das atrações fixas do programa Som Livre Exportação. No começo gostam da idéia, mas logo perdem a motivação, pois o formato do programa e o contato com sambistas e exponentes da bossa nova não os interessava muito. No mesmo ano o baixista Liminha e o baterista Dinho Leme são efetivados no grupo, que lança o disco Jardim Elétrico.

Em março de 1972 chega às lojas o disco Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets, lançado em um dos períodos mais críticos da história brasileira. O álbum foi até mesmo censurado pelos militares (a faixa Cabeludo Patriota teve de mudar de nome, pois foi considerada subversiva) e em sua gravação original após ter sido censurada, foram introduzidos efeitos "vocais" sobrepostos para esconder a frase "...o meu cabelo é verde e amarelo...". O LP inclusive mostra a transição da banda em direção ao rock progressivo, com influências evidentes dos grupos Emerson, Lake & Palmer e Yes.

Essa guinada seria um dos fatores que acabaria afastando Rita Lee do restante do grupo, e no final do ano a banda participa de seu último festival, o Sétimo Festival Internacional da Canção, onde são desclassificados em uma das primeiras fases. Em seguida, a vocalista anuncia sua saída dos Mutantes.


A fase progressiva
Em 1973, a banda então estréia um espetáculo, "2000 Watts de Som", e inicia a gravação de seu primeiro álbum sem Rita Lee, O A e o Z. Totalmente progressivo e cheio de temas e viagens instrumentais, o resultado final é considerado decepcionante pela gravadora Phonogram, que já desapontada com a saída de Rita, decide dispensar o grupo.

Os Mutantes continuam suas atividades, porém Arnaldo, já bastante debilitado mentalmente pelo uso contínuo de drogas (em especial o LSD), começa a ficar mais e mais esquisito, passando a colecionar sacos cheios de lixo, a se comunicar numa espécie de idioma inventado por ele e a fazer planos de construir uma nave espacial. Arnaldo deixa a banda, seguido pelo baterista Dinho. Em 1974, depois de uma briga com os demais integrantes, o baixista Liminha é o próximo a abandonar o grupo.

Liderada a fora por Sérgio Dias, a banda consegue um contrato com a gravadora Som Livre e muda-se para Petrópolis, mas Sérgio passa por um período turbulento, tendo de lidar com várias brigas internas e trocas de integrantes. Depois de mais dois álbuns ele decide terminar com o grupo em 1978. O último show, no dia 6 de junho em Ribeirão Preto (e que ainda tinha, pilotando a mesa de som, Cláudio César Dias Baptista), não poderia ser mais bucólico: apenas cerca de 200 pessoas comparecem. Após lançar um disco solo, Sérgio então muda-se para os Estados Unidos, onde passa a trabalhar como músico de estúdio, dedicando-se principalmente ao Jazz.


Pós-banda
Os Mutantes voltariam a ser notícia em 1992, quando os principais jornais brasileiros divulgaram que o grupo iria retornar em sua formação clássica. O que aconteceu na verdade foi um convite de Rita aos seus antigos companheiros para uma participação em um de seus shows. O rancor guardado e as brigas do passado ressurgem momentos antes da apresentação e apenas Sérgio sobe ao palco com a cantora, apesar dos chamados insistentes da platéia por Arnaldo. Em 1993 eles recusam um pedido feito por Kurt Cobain, líder do Nirvana para que se reunissem novamente.

No ano 2000 a gravadora Universal, dona do catálogo da extinta Polydor, finalmente resolve lançar Tecnicolor, que apresenta as canções gravadas pela banda durante sua passagem pela França em 1970. A ilustração e a caligrafia do álbum é da autoria de Sean Lennon.

Em fevereiro de 2005 a revista britânica Mojo incluiu o álbum Os Mutantes em sua lista de "50 Discos Mais Experimentais de Todos Os Tempos", à frente de nomes como Beatles, Pink Floyd e Frank Zappa.


Retorno em 2006
Em abril de 2006, Os Mutantes anunciam o começo de um novo ciclo e o tão esperado retorno aos palcos com Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e Dinho Leme, baterista da formação original do grupo, com uma turnê pela Inglaterra e Estados Unidos. Para as partes vocais orginalmente feitas por Rita Lee foi chamada a cantora Zélia Duncan, convidada especial da banda.

A primeira apesentação dos novos Mutantes em Londres foi gravada para futuro lançamento em CD e DVD, pela gravadora Sony BMG.

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